May 10, 2005

Political Correctness Comes to Brazil

The following article is pretty funny, especially if you have any notion of Brazilian culture. Even if you don't, it is still a hoot. This represents one more clumsy attempt by Lula's government to control the press.

Update: I just read the article by João Ubaldo Ribeiro mentioned in the article. It is a scather. He calls the Brazilian government a "poorly disguised dictatorship", among other things. Worth the read, if you know Portuguese. I am including it below.

TIME.com: Brazil's Bad Words -- May. 16, 2005

Brazil's Bad Words
By ANDREW DOWNIE

Posted Monday, May. 09, 2005

The administration of Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva would prefer his fellow citizens to describe him as a vertically challenged, well-nourished supporter of liberal causes--and not as a short, fat communist. In an 87-page document drawn up by the Special Ministry for Human Rights and distributed to members of Congress, police chiefs, newspaper editors and other opinion leaders, the Lula administration lists 96 terms it wants to hear less of. Many are obvious: Don't call the physically handicapped cripples or the mentally handicapped mongoloids, and when describing Afro-Brazilians, steer clear of the Portuguese equivalent of the N word. But the list, whose heading includes the phrase politically correct, goes on to advise against using drunks, because even alcoholics deserve respect; Africans, because the term diminishes individual nationalities; old people, because elderly doesn't carry as much stigma; and street children, because many of those young people have homes. The list also urges Brazilians to stop calling foreigners gringos, radical politicians Shi'ites, and communists, well, communists.

Not surprisingly, that etiquette lesson has inspired some high-level heckling. Best-selling author Joao Ubaldo Ribeiro wrote an apoplectic critique that caused such a furor last week that the government agreed to review its list. Ribeiro called the wonk who wrote the document "arrogant, cretinous and incompetent" but stopped short of calling the author a clown. (Had he done so, the government's vocabulary primer explains, "the professional who makes a living from making other people laugh might get offended.") When asked why the administration decided to suspend distribution of the document, Perly Cipriano, the tight-lipped Deputy Secretary for Human Rights, said, "Because of the criticism," and nothing more. --By Andrew Downie

Here is the column by João Ubaldo Ribeiro mentioned in the above article.

Quando é de Bom Tom Evitar Palhaço e Baianada

João Ubaldo Ribeiro
Caros amigos,
Anexado em forma de documento do Word está uma notícia publicada no Globo de hoje, sábado. É estarrecedor. Estamos ingressando numa era totalitária, em que o governo dá o primeiro passo para instituir uma nova língua e baixar normas sobre as palavras que devemos usar?
Será proibido em breve o uso de palavrões na língua falada no Brasil?
Serão eliminados dos dicionários vocábulos e expressões não consideradas apropriadas pelo Governo?
Palavras veneráveis da língua, como "beata", em qualquer sentido, deverão ser banidas?
Será criada uma polícia da linguagem?
Os brasileiros serão proibidos por lei de discutir vigorosamente e xingar os interlocutores?
Que autoridade tem essa secretaria para emitir essas opiniões, que por enquanto podem ser apenas opiniões, mas nada impede, na ditadura mal disfarçada em que vivemos, que uma Medida Provisória, da mesma forma com que já nos confiscaram a poupança e os depósitos bancários, venha a ser baixada, confiscando também a nossa língua e os nossos costumes, mesmo os inaceitáveis pela maioria?
Os escritores e jornalistas terão seus livros e textos examinados, para que se expurguem termos ou expressões condenadas?
Contar piadas será tido como conduta anti-social e discriminatória?
O governo é o dono da língua? As palavras "negro", "preto", "escuro" e semelhantes, nos casos em que não estiverem sendo usadas sem relação alguma com a cor da pele de ninguém, serão vedadas, se em qualquer contexto julgado negativo?
As nuvens de chuva por acaso são brancas e alguém está insultando os negros, quando diz que há nuvens negras no horizonte (e há)?
Os túneis são escuros e existe alusão racial na expressão "luz no fundo do túnel"?
A peste bubônica não poderá mais ser mencionada como a "peste negra"?
Tratar-se-á como injúria ou difamação chamar de comunista alguém que até o seja, mas não se considere como tal?
Não se poderá mais dizer que alguém é burro ou cometeu uma burrice?
Será publicada uma lista de palavras de uso permitido, ou de uso proibido?
Acontece isto em alguma outra parte do mundo?
Se um homossexual, como fazem muitos deles, rotular-se a si mesmo de "veado", poderá ser censurado ou punido?
O pronome indefinido peculiar à língua falada no Brasil ("nêgo", como em "nêgo aqui gosta muito de uma festa") só será aceitável se for numa afirmação elogiosa ou "positiva"?
O ridículo dessa cartilha não nos deve cegar para o fato de que está começando o que parece ser uma ampla distribuição, que certamente atingirá as escolas, nas quais, já hoje, são obrigadas a classificar racialmente os alunos, dando a entender que certas áreas certamente considerarão um progresso e um passo em direção ao ambicionado terceiro mundo a instituição da segregação no Brasil.
Não podemos aceitar esse delírio totalitário, autoritário, preconceituoso (ele, sim), asnático, deletério e potencialmente destrutivo -- e, o que é pior, custeado com o nosso dinheiro. Que está acontecendo neste país?
Aonde vamos, nesse passo?
Quanto tempo falta para que os burocratas desocupados que incham a máquina governamental regulem nossa conduta sexual doméstica ou nosso uso de instalações sanitárias?
Enfim, o que é isso, pelo amor de Deus?
Até quando vamos suportar sermos tratados como um povo de ovinos imbecis e submetidos ao jugo incontestável da "autoridade"?
Todo poder emana do povo ou da burocracia?
Podermos ser processados, se chamarmos um membro do serviço público de "funcionário"?
Temos liberdade para alguma coisa?
Foi o Estado que nos concedeu o direito de pensar, opinar e dizer, ou este é um direito básico e inalienável, que não nos pode ser tirado?
Não sei mais o que dizer sobre esse descalabro, esse escândalo, essa vergonha, esse sinal de atraso monstruoso, que de agora em diante não deverei mais poder chamar de palhaçada, para não insultar os palhaços. Até onde vamos regredir?
É preciso que reajamos, é indispensável que os homens responsáveis por tal despautério sejam dispensados do serviço público, porque lá estão para cometer atentados à liberdade e arbitrariedades desse tipo. É indispensável que assumamos nosso papel de cidadãos detentores da soberania que, pelo menos nominalmente, é entre nós a soberania popular.
CHEGA DE BURRICE, CHEGA DE ABUSO, CHEGA DE INCOMPETÊNCIA, CHEGA DE MERDA JOGADA SOBRE NOSSAS CABEÇAS!
Ou então que nos calemos e vivamos o destino de gado a que forcejam para cada vez mais nos impor, a escolha é nossa e essa iniciativa grotesca e idiota seja imediatamente esmagada, ou em breve não teremos direito a mais nada, nem à nossa língua, aos nossos sentimentos e à escolha de nosso comportamento que, não sendo criminoso, é exclusivamente da nossa conta e de mais ninguém. Não podemos ser mais humilhados e envergonhados dessa forma, exijamos respeito e seriedade, defendamos nossa integridade e dignidade, rebelemo-nos e, sim, xinguemos - bons filhos das putas - ou, melhor, bons rebentos de profissionais femininas do sexo, para respeitar as novas diretrizes. Vão se catar, e não às nossas custas, como vêm fazendo até agora. Desculpem, mas eu não posso conter a indignação e tentar passá-la para tantos compatriotas quanto possível.
Saudações democráticas, revoltadas e dispostas a se tornarem revoltosas.

Posted by Andrew on May 10, 2005 10:31 AM.